JOAN AS A POLICEWOMAN @ Auditório Oceanos [13.03.2011]
Contra ordenação emocional
Por Joaquim Martins
Fotos de Paulo Mendes
“Num domingo qualquer podemos perder ou ganhar, o que conta é a forma como enfrentamos a luta”. Apresenta-se a mítica frase de Al Pacino, num célebre filme sobre futebol americano, como sendo uma excelente conclusão para este fim-de-semana de luta nacional. Apesar de ser uma afirmação pessoal, justifico-a pela forma como conclui o momento actual, não só da nação, mas um pouco por todo o mundo. Um pensamento em forma de conselho ou de ideal. E enquanto no outro lado do globo a “onda” de protesto da mãe natureza também ela “à rasca” desenvolve outros sentimentos bem mais humildes, nada melhor que escutar o que Joan Wasser tem para protestar, na sua alma turbulenta de Joan As Police Woman. No Auditório dos Oceanos do casino de Lisboa, cumprindo uma série de concertos pelo nosso país e numa digressão pela Europa, vem mostrar o último trabalho “The Deep Field”.
A noite começa ao som de uma pontual Nicole Eitner que, por momentos, confunde os presentes com as semelhanças, mas depressa se apresenta e mostra os temas do seu “I Am You” afirmando a importância de Joan como inspiração para se arriscar no meio musical. Descubra um pouco mais e tire as suas conclusões caro leitor.
De seguida entram Joan Wasser e os seus companheiros de viagem, Parker Kindred e Tyler Wood, para um serão de música e estados de alma tumultuosos, calmos, serenos ou casca dura em negação, mas isso para definir os presentes, pois a interlocutora do espectáculo acorda do transe emocional a cada tema e destila ironias, distinguindo a realidade da razão em confronto com a emocionalidade auditiva das suas letras. Durante pouco mais de uma hora mostra o que tem de novo e aquilo que já se conhecia dela, no que à música diz respeito. Um espectáculo sereno, mas com momentos de agressividade, com minimalismo e com multi-intrumentismo. Uma bipolaridade de sons e sentimentos, mas sempre com uma racionalização final.
Agora a afirmação inicial toma mais forma, “The Deep Field” parece uma boa analogia emocional, mas também se enquadra na realidade: andamos a jogar num “campo fundo” e como tal a afirmação de Al Pacino ganha mais validade se um domingo qualquer for uma situação difícil na nossa vida. Ainda mais, talvez seja melhor ler de novo, talvez seja melhor ler mais vezes a Arte Sonora.
SETLIST
The Action Man
The Magic
Chemmie
Hard White Wall
Anyone
Run For Love
Flash
Nervous
Save Me
Kiss The Specifics
Forever And A Year
Eternal Flame
I Was Everyone
Ride
Human Condition
Say Yes





March 15, 2011 at 4:04 pm
gosto muito do facto de irem enviando para o mail os posts

este despertou-me curiosidade
keep on
March 16, 2011 at 12:17 am
depende da subscrição que se faz do blogue, o mérito é teu
obrigado por nos acompanhares
March 20, 2011 at 2:45 am
um privilégio ver e ouvir Joan Wasser ao vivo. adorei a descrição da contra ordenação emocional, às vezes vale a pena entrar na zona de desconforto e mergulhar em campos mais profundos. Esse domingo foi ganho, de certeza.